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15 /10/2006
  Mãe, sou homossexual !
 

Pesquisadora transforma sua luta pela aceitação do filho homossexual numa ONG dirigida a pais que vivem o mesmo problema.

por Ciça Vallerio - Estadão

Tem uma frase da pesquisadora, professora e escritora Edith Modesto que resume bem a dificuldade dos pais em aceitar um caso de homossexualidade entre a sua prole: “quando o filho sai do armário, a mãe entra”. Para quem não sabe, “sair do armário” quer dizer “assumir-se”. E foi exatamente a experiência oposta, a de “entrar no armário” que Edith viveu quando o seu caçula lhe disse, chorando, que era homossexual.
“Naquela época, meu mundo caiu, lembra”. “Na maioria das vezes, a descoberta da homossexualidade de um filho vira tragédia, por isso, passei por um processo lento de aceitação”. Edith levou anos pesquisando sobre diversidade sexual, após descobrir que não sabia nada sobre o assunto, apesar de ser professora universitária (aposentada), mestra e doutora em Semiótica pela Universidade de São Paulo (USP).
Ela começou acompanhando fóruns de bate-papo na internet voltados à homossexualidade. Por muito tempo, a vergonha a impediu de interagir nessas rodas de conversas virtuais. Apenas lia os diálogos dos outros integrantes. “Tinha muito preconceito e associava homossexualismo à doença, safadeza, perversão, mas fui me surpreendendo ao ver como os participantes eram cultos, interessantes e com caráter”.
Até que Edith, de 68 anos, teve coragem de se apresentar para todos como uma mãe de gay, que estava apavorada com a descoberta. Ao saberem disso, os interlocutores virtuais ficaram extasiados com o fato de estarem diante de uma mãe que, pela primeira vez, tentava entender esse mundo. Eles a “adotaram” e alguns até se tornaram seus amigos.
Após esse primeiro passo, muita coisa mudou. Edith acabou criando o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), iniciativa que já completou nove anos. No começo, ela investia pouco em divulgação, por causa da vergonha de se expor. Mas depois que a pesquisadora “saiu do armário”, a ONG cresceu e passou a oferecer grupo de ajuda mútua, orientação – com a colaboração do psicólogo Klécius Borges, que atende apenas homossexuais-, palestras e materiais educativos, além de seminários para empresas, escolas, etc.
Este ano, Edith lançou o livro “Vidas em Arco-Íris: Depoimento sobre a Homossexualidade” (Editora Record). A publicação traz entrevistas com homossexuais, por meio de um olhar não acadêmico do mundo gay. O trabalho foi desenvolvido durante dois anos, período em que foram gravadas mais de 200 fitas com relatos sobre os mais diversos assuntos relacionados ao tema.
-Foi a maneira que encontrei para dar a palavra a eles, para que as pessoas pudessem  abandonar estereótipos e saber que a homossexualidade é natural, e não uma opção. Quero mostrar também como o preconceito “social” é tão cruel que até mesmo quem é homossexual tende a não se aceitar. Até se assumirem gays, as pessoas passam por um processo tão doloroso quanto os pais.
Sentir-se amado e receber apoio são os desejos de qualquer filho, sobretudo de um homossexual. Segundo Edith, há muitos casos de suicídio e uso de álcool e drogas por jovens homossexuais, cujos pais não aceitam a sua sexualidade.

Edith Modesto
Edith Modesto

(“Quero mostrar como o preconceito é cruel”)

Estadão - Comportamento



   
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